quarta-feira, 22 de outubro de 2014

tristeza é quando já não dói mais


“É, você sempre está indo embora.” A frase veio assim, seca e cortada num esforço em-vão-para-não-chorar, do outro lado daquela ligação. O dia nem tinha nascido, e eu já tinha morrido umas duzentas vezes em dois minutos. Acho que bati o meu recorde naquele dia.

Foi a frase mais triste que eu ouvi na vida.

Nada de rancor, nem raiva: quase nada disfarçado no meio de quase tudo . Tristeza mesmo. Essa que te agarra a alma, e fica para sempre vivendo no teu ser. Muda.

Depois disso, quando saí daquele táxi, já não olhei para trás.

Nunca mais voltei.

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

domingo, 13 de julho de 2014

eu te repito.

e repito
e repito
e repito
e repito
e repito
e repito
e repito
e repito
e repito
e repito
e repito
e repito
e repito
e repito
e repito
e repito
e repito
e repito
e repito
e repito

e quase acredito
que você voltou.


quase 27



só terminou pra você.

A letra A

E isso tudo, meio sem querer, se transformou em você.

Nem você, entusiasta das minhas palavras, poderia imaginar.

É como se cada dia, em vez da distância nos sufocar com seus dedos de pedra, você estivesse ainda mais presente na minha vida.

Seu sorriso ecôa por todas as esquinas disso que eu chamo de poesia. E quando não tenho mais para onde fugir, é aqui que eu corro para te encontrar.

Te encontro em todo meu vocabulário, e faço da saudade o meu alfabeto particular.


virando pó




minha poesia é assim
metade aqui,
metade ali,
meio eu
espalhada por aí.

e de metade 
em metade
vou virando pó
pelo caminho.

só sobrevivem  meus pés
cheio de espinhos.

quarta-feira, 16 de abril de 2014

ela estava ali


E numa tarde boba, assim de primavera, entra você pelos meus ouvidos.

Remove lembranças, enche minha alma de saudade, e na minha boca o sabor de tudo o que um dia foi, é quase doce.

Sem pena, nem mágoas, nem nada do que poderia ser.

Nós: sempre idas sem vindas.

Caminhos cruzados, atravessados no nosso azul. 

Então, depois de tanto tudo, quer dançar comigo agora mesmo?


sábado, 28 de dezembro de 2013

feliz aniversário


Sem Ana, Blues(Caio Fernando Abreu)

Quando Ana me deixou - essa frase ficou na minha cabeça, de dois jeitos - e depois que Ana me deixou. Sei que não é exatamente uma frase, só um começo de frase, mas foi o que ficou na minha cabeça. Eu pensava assim: quando Ana me deixou - e essa não-continuação era a única espécie de não continuação que vinha. Entre aquele quando e aquele depois, não havia nada mais na minha cabeça nem na minha vida além do espaço em branco deixado pela ausência de Ana, embora eu pudesse preenchê-lo - esse espaço branco sem Ana - de muitas formas, tantas quantas quisesse, com palavras ou ações. Ou não-palavras e não-ações, porque o silêncio e a imobilidade foram dois dos jeitos menos dolorosos que encontrei, naquele tempo, para ocupar meus dias, meu apartamento, minha cama, meus passeios, meus jantares, meus pensamentos, minhas trepadas e todas essas outras coisas que formam uma vida com ou sem alguém como Ana dentro dela.

Quando Ana me deixou, eu fiquei muito tempo parado na sala do apartamento, cerca de oito horas da noite, com o bilhete dela nas mãos. No horário de verão, pela janela aberta da sala, à luz das oito horas da noite podiam-se ainda ver uns restos dourados e vermelho deixados pelo sol atrás dos edifícios, nos lados de Pinheiros. Eu fiquei muito tempo parado no meio da sala do apartamento, o último bilhete de Ana nas mãos, olhando pela janela os dourados e o vermelho do céu. E lembro que pensei agora o telefone vai tocar, e o telefone não tocou, e depois de algum tempo em que o telefone não tocou, e podia ser Lucinha da agência ou Paulo do cineclube ou Nelson de Paris ou minha mãe do Sul, convidando para jantar, para cheirar pó, para ver Nastassia Kinski nua, perguntando que tempo fazia ou qualquer coisa assim, então pensei agora a campainha vai tocar. Podia ser o porteiro entregando, alguma dessas criancinhas meio monstros de edifício, que adoram apertar as campainhas alheias, depois sair correndo. Ou simples engano, podia ser. Mas a campainha também não tocou, e eu continuei por muito tempo sem salvação parado ali no centro da sala que começava a ficar azulada pela noite, feito o interior de um aquário, o bilhete de Ana nas mãos, sem fazer absolutamente nada além de respirar.

Depois que Ana me deixou - não naquele momento exato em que estou ali parado, porque aquele momento exato é o momento-quando, não o momento-depois, e no momento-quando não acontece nada dentro dele, somente a ausência da Ana, igual a uma bolha de sabão redonda, luminosa, suspensa no ar, bem no centro da sala do apartamento, e dentro dessa bolha é que estou parado também, suspenso também, mas não luminoso, ao contrário, opaco, fosco, sem brilho e ainda vestido com um dos ternos que uso para trabalhar, apenas o nó da gravata levemente afrouxado, porque é começo de verão e o suor que escorre pelo meu corpo começa a molhar as mãos e a dissolver a tinta das letras no bilhete de Ana - depois que Ana me deixou, como ia dizendo, dei para beber, como é de praxe.

De todos aqueles dias seguintes, só guardei três gostos na boca - de vodca, de lágrima e de café. O de vodca, sem água nem limão ou suco de laranja, vodca pura, transparente, meio viscosa, durante as noites em que chegava em casa e, sem Ana, sentava no sofá para beber no último copo de cristal que sobrara de uma briga. O gosto de lágrimas chegava nas madrugadas, quando conseguia me arrastar da sala para o quarto e me jogava na cama grande, sem Ana, cujos lençóis não troquei durante muito tempo porque ainda guardavam o cheiro dela, e então me batia e gemia arranhando as paredes com as unhas, abraçava os travesseiros como se fossem o corpo dela, e chorava e chorava e chorava até dormir sonos de pedra sem sonhos. O gosto de café sem açúcar acompanhava manhãs de ressaca e tardes na agência, entre textos de publicidade e sustos a cada vez que o telefone tocava. Porque no meio dos restos dos gostos de vodca, lágrima e café, entre as pontadas na cabeça, o nojo da boca do estômago e os olhos inchados, principalmente às sextas-feiras, pouco antes de desabarem sobre mim aqueles sábados e domingos nunca mais com Ana, vinha a certeza de que, de repente, bem normal, alguém diria telefone-para-você e do outro lado da linha aquela voz conhecida diria sinto-falta-quero-voltar. Isso nunca aconteceu.

O que começou a acontecer, no meio daquele ciclo do gosto de vodca, lágrima e café, foi mesmo o gosto de vômito na minha boca. Porque no meio daquele momento entre a vodca e a lágrima, em que me arrastava da sala para o quarto, acontecia às vezes de o pequeno corredor do apartamento parecer enorme como o de um transatlântico em plena tempestade. Entre a sala e o quarto, em plena tempestade, oscilando no interior do transatlântico, eu não conseguia evitar de parar à porta do banheiro, no pequeno corredor que parecia enorme. Eu me ajoelhava com cuidado no chão, me abraçava na privada de louça amarela com muito cuidado, com tanto cuidado como se abraçasse o corpo ainda presente de Ana, guardava prudente no bolso os óculos redondos de armação vermelhinha, enfiava devagar a ponta do dedo indicador cada vez mais fundo na garganta, até que quase toda a vodca, junto com uns restos de sanduíches que comera durante o dia, porque não conseguia engolir quase mais nada, naqueles dias, e o gosto dos muitos cigarros se derramassem misturados pela boca dentro do vaso de louça amarela que não era o corpo de Ana. Vomitava e vomitava de madrugada, abandonado no meio do deserto como um santo que Deus largou em plena penitência - e só sabia perguntar por que, por que, por que, meu Deus, me abandonaste? Nunca ouvi a resposta.

Um pouco depois desses dias que não consigo recordar direito - nem como foram, nem quantos foram, porque deles só ficou aquele gosto de vômito, misturados, no final daquela fase, ao gosto das pizzas, que costumava perdir por telefone, principalmente nos fins-de-semana, e que amanheciam abandonadas na mesa da sala aos sábados, domingos e segundas, entre cinzeiros cheios e guardanapos onde eu não conseguia decifrar as frases que escrevera na noite anterior, e provavelmente diziam banalidades, como volta-para-mim-Ana ou eu-não-consigo-viver-sem-você, palavras meio derretidas pelas manchas do vinho, pela gordura das pizzas -, depois daqueles dias começou o tempo em que eu queria matar Ana dentro de tudo aquilo que era eu, e que incluía aquela cama, aquele quarto, aquela sala, aquela mesa, aquele apartamento, aquela vida que tinha se tornado a minha depois que Ana me deixou.

Mandei para a lavanderia os lençóis verde-clarinhos que ainda guardavam o cheiro de Ana - e seria cruel demais para mim lembrar agora que cheiro era esse, aquele, bem na curva onde o pescoço se transforma em ombro, um lugar onde o cheiro de nenhuma pessoa é igual ao cheiro de outra pessoa -, mudei os móveis de lugar, comprei um Kutka e um Gregório, um forno microondas, fitas de vídeo, duas dúzias de copos de cristal, e comecei a trazer outras mulheres para casa. Mulheres que não eram Ana, mulheres que jamais poderiam ser Ana, mulheres que não tinham nem teriam nada a ver com Ana. Se Ana tinha os seios pequenos e duros, eu as escolhia pelos seios grandes e moles, se Ana tinha os cabelos quase louros, eu as trazia de cabelos pretos, se Ana tivesse a voz rouca eu a selecionava pelas vozes estridentes que gemiam coisas vulgares quando estávamos trepando, bem diversas das que Ana dizia ou não dizia, ela nunca dizia nada além de amor-amor ou meu-menino-querido, passando dos dedos da mão direita na minha nuca e os dedos da mão esquerda pelas minhas costas. Vieram Gina, a das calcinhas pretas, e Lilian, a dos olhos verdes frios, e Beth, das coxas grossas e pés gelados, e Marilene, que fumava demais e tinha um filho, e Mariko, a nissei que queria ser loura, e também Marta, Luiza, Creuza, Júlia, Débora, Vivian, Paula, Teresa, Luciana, Solange, Maristela, Adriana, Vera, Silvia, Neusa, Denise, Karina, Cristina, Marcia, Nadir, Aline e mais de 15 Marias, e uma por uma das garotas ousadas da Rua Augusta, com suas botinhas brancas e minissaia de couro, e destas moças que anunciam especialidades nos jornais. Eu acho que já vim aqui uma vez, alguma dizia, e eu falava não lembro, pode ser, esperando que tirasse a roupa enquanto eu bebia um pouco mais para depois tentar entrar nela, mas meu pau quase nunca obedecia, então eu afundava a cabeça nos seus peitos e choramingava babando sabe, depois que Ana me deixou eu nunca mais, e mesmo quando meu pau finalmente endurecia, depois que eu conseguia gozar seco ardido dentro dela, me enxugar com alguma toalha e expulsá-la com um cheque cinco estrelas, sem cruzar, então eu me jogava de bruços na cama e pedia perdão à Ana por traí-la assim, com aquelas vagabundas. Trair Ana, que me abandonara, doía mais que ela ter me abandonado, sem se importar que eu naufragasse toda noite no enorme corredor de transatlântico daquele apartamento em plena tempestade, sem salva-vidas.

Depois que Ana me deixou, muitos meses depois, veio o ciclo das anunciações, do I Ching, dos búzios, cartas de Tarot, pêndulos, vidências, números e axés - ela volta, garantiam, mas ela não voltava - e veio então o ciclo das terapias de grupo, dos psicodramas, dos sonhos junguianos, workshops transacionais, e veio ainda o ciclo da humildade, com promessas à Santo Antônio, velas de sete dias, novenas de Santa Rita, donativos para as pobres criancinhas e velhinhos desamparados, e veio depois o ciclo do novo corte de cabelos, da outra armação para os óculos, guarda-roupa mais jovem, Zoomp, Mister Wonderful, musculação, alongamento, yoga, natação, tai-chi, halteres, cooper, e fui ficando tão bonito e renovado e superado e liberado e esquecido dos tempos em que Ana ainda não tinha me deixado que permiti, então, que viesse também o ciclo dos fins de semana em Búzios, Guarajá ou Monte Verde e de repente quem sabe Carla, mulher de Vicente, tão compreensiva e madura, inesperadamente, Mariana, irmã de Vicente, transponível e natural em seu fio dental metálico, por que não, afinal, o próprio Vicente, tão solícito na maneira como colocava pedras de gelo no meu escocês ou batia outra generosa carreira sobre a pedra de ágata, encostando levemente sua musculosa coxa queimada de sol e o windsurf na minha musculosa coxa também queimada de sol e windsurf. Passou-se tanto tempo depois que Ana me deixou, e eu sobrevivi, que o mundo foi se tornando ao poucos um enorme leque escancarado de mil possibilidades além de Ana. Ah esse mundo de agora, assim tão cheio de mulheres e homens lindos e sedutores interessantes e interessados em mim, que aprendi o jeito de também ser lindo, depois de todos os exercícios para esquecer Ana, e também posso ser sedutor com aquele charme todo especial de homem-quase-maduro-que-já-foi-marcado-por-um-grande-amor-perdido, embora tenha a delicadeza de jamais tocar no assunto. Porque nunca contei à ninguém de Ana. Nunca ninguém soube de Ana em minha vida. Nunca dividi Ana com ninguém. Nunca ninguém jamais soube de tudo isso ou aquilo que aconteceu quando e depois que Ana me deixou.

Por todas essas coisas, talvez, é que nestas noites de hoje, tanto tempo depois, quando chego do trabalho por volta das oito horas da noite e, no horário de verão, pela janela da sala do apartamento ainda é possível ver restos de dourados e vermelhos por trás dos edifícios de Pinheiros, enquanto recolho os inúmeros recados, convites e propostas da secretária eletrônica, sempre tenho a estranha sensação, embora tudo tenha mudado e eu esteja muito bem agora, de que este dia ainda continua o mesmo, como um relógio enguiçado preso no mesmo momento - aquele. Como se quando Ana me deixou não houvesse depois, e eu permanecesse até hoje aqui parado no meio da sala do apartamento que era o nosso, com o último bilhete dela nas mãos. A gravata levemente afrouxada no pescoço, fazia e faz tanto calor que sinto o suor escorrer pelo corpo todo, descer pelo peito, pelos braços, até chegar aos pulsos e escorregar pela palma das mãos que seguram o último bilhete de Ana, dissolvendo a tinta das letras com que ela compôs palavras que se apagam aos poucos, lavadas pelo suor, mas que não consigo esquecer, por mais que o tempo passe e eu, de qualquer jeito e sem Ana, vá em frente. Palavras que dizem coisas duras, secas, simples, arrevogáveis. Que Ana me deixou, que não vai voltar nunca, que é inútil tentar encontrá-la, e finalmente, por mais que eu me debata, que isso é para sempre. Para sempre então, agora, me sinto uma bolha opaca de sabão, suspensa ali no centro da sala do apartamento, à espera de que entre um vento súbito pela janela aberta para levá-la dali, essa bolha estúpida, ou que alguém espete nela um alfinete, para que de repente estoure nesse ar azulado que mais parece o interior de um aquário, e desapareça sem deixar marcas.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

minha tristeza fala português


essa dor que não passa
essa lágrima que nunca seca
essa saudade que não tem fim.

cansada de viver pela metade
eu quero mesmo
é fugir de mim.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

metamorfose


 
e quando ela pensou que tudo era escuridão
e que ela não podia ver
nem compreender o nada
ela entendeu que era hora de esperar.
 
metamorfose.
 
um dia ela abriu os olhos
e pouco a pouco
descobriu que podia voar.
 
nunca mais olhou para trás.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

nem é vida



Vai ver que a vida nem é essa surpresa toda. Vai ver que nada disso existe: nem eu, nem você, nem nós e, muito menos, o destino.
Vai ver que a vida é uma caixa de presente vazia. Oca. Cinza. Nada mais.
Vai ver que é isso mesmo. Nem nós dançando na chuva. Nem você perdido nos olhos meus. Nada do meu gosto nos lábios seus. Estradas distintas. Vidas encruzilhadas. Nada escrito. Tudo perdido.
Vai ver que é isso mesmo. Papéis em branco. Nenhum segredo. Mistérios publicados nos jornais. 
Nada é verdade. Nem a minha imagem no espelho. Nem o mar que transborda nos olhos seus.
O nada preenche tudo e sussurra respostas mudas. Não conhecemos as perguntas. E já não importam mais.
Vai ver que a vida nem é essa dor toda. Vai ver que nem é vida. Mudou de nome e esqueceu de anotar o endereço.
Vai ver que ela fugiu de casa. E não volta. Nunca mais.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012


e então você se foi
levando contigo
todo o mar dos meus olhos.
 
o sal das minhas lágrimas:
pura saudade cristalizada.
 
e desde então
meus olhos de pedra
nunca mais viram o mar.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

foreign language


half here
metade lá
completa soledad.

ando pelo mundo
sem pátria sem idioma sem
way over there.

sinto saudades
but I don't have a language
para chegar até você.


terça-feira, 7 de agosto de 2012

eu


o caminho
mais complicado

a dor
mais profunda

a distância
mais absurda

vasta
é minha solidão.

terça-feira, 26 de junho de 2012

saudade em outro idioma



Llevo mucho tiempo
sin verte.
Necesito llenarte de flores
y llorar mi dolor
a los piés de tu infinita ausencia.
Necesito decirte
lo mucho que te echo de menos.

terça-feira, 20 de março de 2012

B612

A viagem
não acaba aqui.

Ela segue
por dentro.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

sempre a mesma viagem



 







Espero que você leve na bagagem: dias lindos, paisagens inesquecíveis, simpáticos desconhecidos, talvez uma paixão.

Que tenha encontrado dias frios, porém ensolarados. Poesia em algum café, um sorriso assim, meio de lado.

Desejo que seja sempre, 50 dias inesquecíveis. Alma leve, cabeça solta e coração tranquilo.

Muitos beijos de quem você não viu, talvez por falta de tempo, ou excesso de vontade? Não importa.

Na minha bagagem, sempre o mesmo carinho, sempre a mesma saudade.

VOLTA EM ABERTO

Ambígua volta
em torno da ambígua ida,

quantas ambiguidades se pode cometer na vida?

Quem parte leva um jeito de quem traz a alma torta.

Quem bate mais na porta?
Quem parte ou quem torna? (paulo leminski)

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

infinito

s a u d a d e s
a
u
d
a
d
e
s a u d a d e s
a
u
d
a
d
e
s

que nunca tem fim...

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

vento no litoral

"agora está tão longe
ver a linha do horizonte me distrai
dos nossos planos é que tenho mais saudade
quando olhávamos juntos
na mesma direção
aonde está você agora
além de aqui
dentro de mim?"
(legião urbana)

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

definição

A recordação
é uma cadeira de balanço
embalando sozinha...

Mario Quintana